Bem aqui estou eu e tu, um em frente ao outro, como tantas outras vezes já aconteceu, no escuro do meu quarto, sendo apenas visível a luz emitida por ti, que por sua vez reflete em mim... Cá estamos nós ao som de uma maravilhosa melodia do nosso caro Rui Veloso.
Hoje estamos num lugar diferente, um lugar que também é meu e onde por vezes também deposito um bocadinho de mim, é assim que gosto de designar os meus desabafos, (um depositar), é verdade que este não é o meu "deposito" de eleição, ou melhor, não é um "deposito" para ser utilizado no dia-a-dia, é como aquele fato/vestido, que temos no roupeiro e só usamos nas circunstâncias especiais, (casamentos, baptizados, jantares de curso, festas todas pipis de aniversário, *e que geralmente são uma seca*, e por ai fora...), a combinar com aquele maravilhoso sapato e com aquela magnifica mala (na maior parte das vezes pirosa). Agora que lei-o a descrição que acabo de fazer do meu blog, devo dizer que não podia ter sido mais fiel no que diz respeito ao que penso e como o encaro.
Mas não foi para definir, descrever, caracterizar, qualificar (e mais sinónimos que queira arranjar) o meu blog que aqui vim, vim sim para com já te disse atrás, depositar alguns dos meus desabafos.
Há algum tempo atrás e neste mesmo espaço escrevi-te, que já não era a mesma, não sabia se tinha crescido e até que ponto me tinha transformado, mas hoje refletindo um pouco sobre tudo o que já se passou, a certeza caiu diante de mim como se de uma avalanche se trata-se, isto é, sem deixar margem para duvidas, algo em mim gritava a plenos pulmões, estas duas frases; "SIM cresces-te, SIM mudas-te", devo dizer que isto aconteceu a todos os niveis... Já não encaro as coisas, as pessoas, o mundo, a vida, como antes o fazia. Continuo a ter os meus principios bases dos quais não abro mão, por nada, até porque acho que todos devemos ter principios pelos quais devemos reger a "nossa vida", mas acho que reformolei alguns, adaptei-os melhor a sociedade em que vivemos. Sabes, numa conversa que uma vez tive com uma amiga minha descrevi-lhe a "nossa sociedade" como sendo mar de lodo, onde todos nos deixamos arrastar sem fazer-mos o minimo esforço para lutar contra ele, afim de subrevivermos, (ela ficou muito espantada com esta minha bela frase, para ser honesta, não sei o que me deu para falar dessa maneira, pa tu veres até me pgt se não tava a pensar em começar a escrever?!, ri-me... ela estava louca, eu a escrever, não estavamos a falar na mesma lingua, pensei, lol).
Mas para além desta mudança, parece que também mudei ao nível do visual, não sei muito bem como?! Acho que estou igual, mas como outra amiga minha diz: "Tás uma queque!", mais uma vez me ri-o, por um lado até tem algum razão, eu que era uma fervorosas adeptas do movimento dos três As, (Abaixo os auxiliares de altura), recorrendo a eles apenas nas tais circunstâncias especiais, dei por mim na sexta feira, quando fui as compras a exprimentar um sapatinhos com um salto gigante e um top, bué piroso, tipo o das tias, mas graças a não sei muito bem quem, não trouxe nada disso. Continuei fiel ao movimento dos 3As, do qual também sou fundadora, aliás acho que sou o unico membro, nada a que não esteja habituada. Há muito que me habituei a ser o unico membro em alguns aspectos da minha vida.
As vezes dou por mim a ter este tipo de "conversa" comiga mesma, como se houvesse duas de mim e o meu verdadeiro eu, apenas estivesse a ouvir :
"Tu és normal? Será que sentes aquilo que os outros sentem? Estás realmente no sitio certo, ou só cá estás porque foste arrastada, ou melhor porque te deixas-t arrastar pela sociedade e por tudo o que sempre te disseram, ou seja, se não tás nos sitio onde estás por ti, por gostares de tar lá... já chegas-t a por em causa o facto de seres ou não boa pessoa, boa aluna, boa amiga e por ai em diante, que se passa contigo?? Porque é k cada vez que "sais" de ti, dás por ti a pensar em alguma destas coisas??
É incrivel como tu por vezes percebes que não tás totalmente integrada nesta sociedade... É incrivel como apesar de aparentares essa fortaleza toda, esse murro que só é penetravel por algumas pessoas e por algumas coisas, no seu interior és tão fraca, tão xeia de duvidas, ou seja, és tao fragil no final das contas...
Sabes o que me apetece fazer-te depois de teres escrito isto tudo?? Apetece-me bater-te, como é possivel?? Como é possivel, seres tão consciente, seres tão dura contigo propria. É incrivel como cada vez mais a certeza te assusta, o facto de saberes o que sentes, o que pensas, o que queres, te deixa com um medo imenso... Juro que não te percebo..."
É incrivel como tu por vezes percebes que não tás totalmente integrada nesta sociedade... É incrivel como apesar de aparentares essa fortaleza toda, esse murro que só é penetravel por algumas pessoas e por algumas coisas, no seu interior és tão fraca, tão xeia de duvidas, ou seja, és tao fragil no final das contas...
Sabes o que me apetece fazer-te depois de teres escrito isto tudo?? Apetece-me bater-te, como é possivel?? Como é possivel, seres tão consciente, seres tão dura contigo propria. É incrivel como cada vez mais a certeza te assusta, o facto de saberes o que sentes, o que pensas, o que queres, te deixa com um medo imenso... Juro que não te percebo..."
Depois desta pequena conversa que tenho comigo mesma, percebo que sou um poço de duvidas, um naufrago, (como gosto de me chamar de uma forma carinhosa). Naufrago esse que procura um porto de abrigo, mas que ao mesmo tempo o rejeita, pois já está habituado a liberdade conquistada nesse mar imenso que é a vida e ainda não está preparado para abrir mão dela, nem o deseja fazer, pois é assim que me sinto face a uma relação... Ou seja estou a tentar descrever o indescritivel, lol.
A autora do livro que ando a ler neste preciso momento (que diga-se de passagem ser um belo livro, ("Eat, pray, love", titulo original)), compara a relação amorosa com a dependência de uma droga, e a quebra dela, faz com que fiquemos nauseados, loucos e vazios, para não falar no rancor contra aquele traficante que nos encentivou aquele vicio, mas que agora se recusa a dar, apesar de sabermos que ainda o possui, pois em tempo dava-o de graça. Achei graça esta comparação, bastante aproximada da realidade parece-me a mim, mas compreendo que nem toda gente concorde comigo, afinal nem todos pensamos da mesma maneira. O que por vezes cria conflitos, mas que na maior parte das vezes ajuda nessa aprendizagem continua.
Bem resumindo tudo o que escrevi até agora, o futuro por vezes assusta-me, pelo menos em alguns aspectos, por vezes queria era mais lixar-me para tudo resto e só me importar comigo mesma, ser um bocadito eguista, mas não dá, não consigo, mais uma vez a porcaria de não sei bem o quê, vem e atormenta. Só queria por vezes libertar-me, mas parece uma camisa de força. Mas até acho que algumas das vezes o consigo vencer, com ajuda é claro, mas consigo...
Agora despeço-me de ti, acho que vou dar uma voltinha até Itália, que te parece? Boa ideia, não é? lol.
Adios caro mio :)