Apenas preciso de falar, de desabafar, de dizer um monte de baboseiras sem jeito nenhum, não sei, só quero deitar cá para fora, não sei se és a melhor forma de o fazer, mas foi para isto que te criei, para dizer tudo o que queria e não entendia. Não é a toa que tens o titulo de fica sempre na metade...
Sabes hoje durante a viagem e com a cabeça feita num oito e com tantas coisas a passarem por ela, muitas que ainda agora não percebo, muito menos aceito. Houve um assunto que de certo modo me atormentou, não sendo já a primeira vez, estas férias o mesmo já tinha surgido, em termos de assunto numa conversa qualquer entre amigos.
O que é o amor, a amizade e a paixão?
A verdade é que hoje reflectia sobre o assunto e não concordo que o amor só é possível entre duas pessoas que se encontram apaixonadas e que mais tarde se vêem a amar. Eu acredito que também pode existir entre dois amigos. Há amizades e amizades, há coisas únicas. Se entre essas pessoas houver cumplicidade, confiança, vontade e sentido de protecção e tudo mais que não se encontra palavras para definir, será que também não é uma forma de amar? Se é possivel e acredito que uma verdadeira amizade consegue por vezes, ou melhor, sempre ser maior que uma paixão.
Neste momento ando a ler um livro, a historia de dois melhores amigos e talvez por isso mesmo, tenha formulado esta ideia, tenha começado a pensar assim. Mas a verdade é que o livro mostra isso mesmo, a amizade que eles sentem e tudo o que vivem é tipo dois irmãos. Posso estar a dizer disparates e quem não concorda comigo que me perdoe, quem sabe amanha também eu não ache que acabei de escrever o maior dos disparates.
Tenho sido atormentada por um sentimento de culpa, que não consigo controlar, por muito que tente, não consigo. Culpo-me por tudo e por nada. Por honestamente nunca ter feito nada por mim, por nunca ter lutado por aquilo que realmente queria. Quando olho para trás, para tudo o que vivi, para tudo o que fiz e deixei de fazer, a verdade é que olho e não vejo alguém que lutasse assim tanto. Sempre fui muito do vou ter o que tiver de ter (a cena do destino, uma estupidez pegada), em vez de ser, vou lutar por aquilo que quero.... há muita coisa de que me arrependo, à o ditado que diz "nunca te arrependas do que fizes-te, mas sim do que deixas-te por fazer" e sinceramente eu arrependo-me. Foram tantas as coisas que não fiz, por medo, por vergonha, nunca fui a luta por quem queria, sempre esperei que elas lutassem por mim. E como é óbvio, isso não aconteceu, eu não a conquistei, como é que ela devia lutar por uma coisa que nem sequer se deu ao trabalho de mostrar que ali estava?
A verdade é que tenho a certeza que vou continuar igual, que não vou fazer nada para mudar.... Mais uma vez o fiz...
Há la coisas engraçadas, começo achar que a vida é uma comédia. Para além do livro, hoje, quando cheguei e fui ver as novidades, deparei-me com um post num blog, que normalmente sigo, que se intitula de "Manual para esquecer alguém", como é óbvio não existe nenhum manual, mas achei uma certa piada a tudo isto... Mas havia lá uma parte que me deixou a pensar,
"Para começar acho que não se deve esquecer alguém. Quando as pessoas são importantes para nós, continuarão sempre a sê-lo. O truque é saber ultrapassar a fase dolorosa para chegarmos àquela em que olhamos para trás e não vemos a pessoa que nos magoou mas antes as coisas boas que tínhamos com ela."
Concordo plenamente, acho mesmo uma estupidez aquelas pessoas que acabam uma relação e deixam-se completamente de se falar, então para onde foi aquilo tudo que viveram juntas? Onde ficou aquilo que construíram juntos? Onde foi parar o sentimento que tinham um pelo outro? Não criaram cumplicidade e até mesmo uma amizade?
Começo a recusar a mim mesma seguir a minha vontade de ficar sozinha, começo a ter realmente medo de o fazer. Sempre tive medo da solidão, é por isso que tenho medo de ficar sozinha, de chegar a um ponto da minha vida e ficar sozinha. Não ter ninguém que tome conta de mim, que me "proteja" deste mundo, não falo só em termos amorosos, que isso cada vez mais tenho a certeza que devo ficar, mas sim em termos de amigos. Existem duas coisas que eu não consigo suportar, o silêncio e a solidão, e quando penso nelas, encontro-as sempre associadas uma à outra... Uma vez entrei em pânico no meio da rua, porque por breves segundo deixei de saber onde estava a minha amiga com quem vinha, fui atingida naquele momento, pela sensação de solidão, de abandono, o que não foi nada agradável. Não sei porque, mas por mais que tente, tenho estado a ser invadida por alguns destes sentimentos.
Cada vez que me encontro sozinha não consigo controlar, sou invadida por uma certa dor, que não consigo perceber o que é e começo a chorar, à espera que alguém me dê colo, que me dêem um abraço, que me digam que vai ficar tudo bem, que me deixem num lugar segura a sentir-me segura.
Já não sei mais o que dizer, mas ainda tenho tanto para ser dito, mas não consigo deitar cá para fora, nunca fui lá muito boa a partilhar o que sinto, só a escrever e nem assim...
Aqui está uma musica que já algum tempo me faz companhia, adoro ouvi-la... Começa a dizer tanto...
Quem sabe não seja daqui a cinquenta anos....
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